terça-feira, 15 de setembro de 2009

O Mar de Mariscal

Nosso primeiro passo como assessoras da Fenaostra foi ir atrás de um trabalho que mostrasse a força catarinense, assim procuramos juntar trabalho e é claro, a maricultura. Então fomos para Mariscal, exatamente na praia de Canto Grande no município de Bombinhas.

Lá percebemos que o número de maricultores é maior comparado ao de pescadores, aliás, o nome já diz tudo: Mariscal.

Diferente do pescador, os maricultores possuem uma rotina de acordar todos os dias 7h da manhã para colher os mariscos de costões de pedras ou de cordas amaradas em bóias que é onde fica a produção maricultora.

O pescador não acorda todos os dias, às 7h, pois seu trabalho maior é em alto mar. Sendo assim, um grupo de pescadores se reúne em um barco e passam dias no mar. Além de pescar, cada tripulante deve fazer uma função a mais, como cozinhar e limpar o barco, por exemplo.

Os maricultores são mais “individualistas”, se assim podemos dizer. Cada um possui uma área no mar onde cultiva o marisco. Essas áreas possuem uma divisão, porém são bem próximas umas das outras. No começo da reprodução do marisco, quando ele ainda é “miudinho”, utilizam garrafas de refrigerante de 2 litros como bóias, que sustentaram cordas em cima do mar. Estes mariscos menores são chamados de coletores, pois soltam larvas no mar que se reproduzem e precisaram se fixar em alguma coisa, neste caso, se fixaram na corda presa às garrafas. No processo natural fixar-se-iam em pedras de costões.

Quando o marisco vai crescendo é necessário trocar de bóia, e em vez da garrafa de 2 litros usa-se um garrafão, daqueles que se estoca gasolina, e na sua grande maioria é de cor azul. Na fase adulta do marisco, aproximadamente um ano depois, ele já está pronto para consumo. Então, só é retirado da corda quando existir de 500 quilos a uma tonelada de mariscos grandes. Eles são levados para serem escovados ou descascados, e depois desses processos os mariscos estão prontos para serem comercializados.

Na praia do Canto Grande localiza-se o cultivo de marisco da região de Bombinhas. A EPAGRI, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S/A, forneceu uma área para os maricultores, onde o maricultor paga uma taxa de 2mil reais para adquirir um espaço. Porém algumas pessoas podem comprar áreas maiores de antigos cultivadores. O valor varia entre 12 e 20mil reais, dependendo do local.

A EPAGRI além de fornecer a área para o cultivo de marisco fornece cursos gratuitos para os moradores de Bombinhas, com direito a certificado de conclusão.

Cezar Rubens de Sena de 47 anos, e natural do Canto Grande, e fez o curso da EPAGRI. Ele já cultiva marisco há cinco anos e desde sua infância trabalha como pescador. Porém não é a sua única fonte de renda. Com o dinheiro da maricultura, durante esses oito anos, Cezar montou um salão de beleza para a esposa que é casado há 23 anos, e uma peixaria onde vende uma parte do marisco que cultiva; siri, que também é capturado por ele mesmo; e peixe que compra dos pescadores da mesma praia. O salão e a peixaria ficam na própria residência de Cezar.
O maricultor Cezar é pai de três filhos, e diz nunca ter deixado faltar nada em casa. “Agradeço a Deus por ter colocado a maricultura em minha vida, pois se não fosse o cultivo de marisco não teria conquistado tudo o que tenho hoje”, diz orgulhoso.

Fotos: Bárbara Nunes

Um comentário:

  1. Parabéns pelo trabalho Barbara Elisa, mostrar para os leigos no assunto, o quanto é bela a arte da maricultura. A matéria está muito bem estruturada e gostosa de ler.
    Desejoso muita sorte e muito sucesso nessa bela profissão que você escolheu para sua vida.
    Parabénsssss.............
    Gislaine

    ResponderExcluir